Onde encontrar sobremesas de pistácio verdadeiro em Lisboa: churros, alfajores, panquecas e gelado, e como distinguir pasta de pistácio de aroma.
Sobremesas de Pistácio em Lisboa: Onde Encontrar as Melhores
O pistácio tomou conta de tudo. Aquilo que era um sabor discreto e um pouco antiquado — o que a avó escolhia na gelataria — é agora o que toda a gente procura, e Lisboa acompanhou depressa.
O problema é que este entusiasmo produziu muita sobremesa cor de pistácio e bastante menos pistácio a sério. Este guia é sobre distinguir os dois, e sobre onde vale mesmo a pena.
Como distinguir pistácio verdadeiro de aroma
Quatro sinais, e são fiáveis:
A cor. A pasta de pistácio verdadeira é de um verde baço, acastanhado, quase caqui. Verde esmeralda brilhante significa quase sempre corante. É o teste mais fácil e falha muito poucas vezes.
O cheiro. O pistácio genuíno cheira a fruto seco e a tostado. O aroma artificial cheira a doce e vagamente a amêndoa.
A textura. A pasta verdadeira tem um ligeiro grão. Um creme de pistácio perfeitamente liso e brilhante é normalmente sobretudo açúcar, leite e aroma.
O preço. O pistácio é um dos frutos secos mais caros do mundo. Se a sobremesa de pistácio custa o mesmo que a de baunilha, alguma coisa foi substituída.
Churros de pistácio
O mais recente, e aquele que quase ninguém faz em Lisboa.
A ideia é simples: o churro é frito, quente, entre o doce e o salgado; o creme de pistácio é rico e fresco. O contraste funciona como o do caramelo salgado, mas com mais profundidade.
Na [Chocolatería San Ginés], no Cais do Sodré, o Pistachio Pop é o churro mais caro da carta — o que, tendo em conta os quatro sinais acima, é o sinal certo. Há também churro recheado de pistácio, para quem prefere o creme por dentro.
Alfajores de pistácio
Os alfajores são pouco conhecidos em Lisboa, o que faz deles uma das melhores descobertas da cidade: dois discos de massa macia com recheio no meio. A versão de pistácio com framboesa é a mais interessante — a acidez da framboesa corta a densidade do fruto seco, que é exatamente aquilo de que o pistácio precisa e raramente tem.
Também no Cais do Sodré, e também o mais caro da secção. A mesma lógica aplica-se.
Panquecas de pistácio
A opção sem contenção: panquecas com creme de pistácio, chantilly, pistácio crocante e mini churros. É uma sobremesa de partilha, diga o que disser a carta, e sabe melhor antes das 16h do que depois do jantar.
Gelado de pistácio
O ponto de entrada clássico, e o sítio mais fácil para aplicar o teste da cor. As gelatarias de estilo italiano em Lisboa — concentradas no Príncipe Real, no Bairro Alto e em Santos — fazem-no bem na maioria dos casos. Procure o verde baço numa cuba fechada, e não um pico verde vivo em exposição.
Pistácio na pastelaria portuguesa
Ainda raro, mas a crescer. Algumas pastelarias começaram a fazer versões de pistácio de doces portugueses clássicos. Aplique aqui o teste da cor com mais rigor do que em qualquer outro lado — o pistácio é uma adição recente à pastelaria portuguesa e nem todas as cozinhas encontraram já boa pasta.
Onde ir: um percurso curto
Se quiser fazer disto uma tarde:
1. Gelado no Príncipe Real: a referência. Serve para perceber a que deve saber pistácio verdadeiro.
2. Churro de pistácio no Cais do Sodré: a versão que quase mais ninguém na cidade tem, e uma textura completamente diferente.
3. Um alfajor de pistácio para levar: viaja bem e sabe melhor no dia seguinte com café.
São cerca de 25 minutos a pé de ponta a ponta, quase sempre a descer.
O que pedir primeiro
Se só puder provar uma coisa, escolha a combinação de quente e frio: creme de pistácio contra algo frito e acabado de fazer. É a versão de pistácio que a maioria das pessoas ainda não experimentou, e é a que explica por que razão este sabor se tornou o que é.
Em Lisboa isso significa uma morada, porque é a única cozinha da cidade que o faz neste momento.
Chocolatería San Ginés: Travessa de São Paulo 9-11, Cais do Sodré. Churros de pistácio, alfajores de pistácio com framboesa, panquecas de pistácio, tudo feito no momento, tudo ao lado do chocolate feito à mão segundo a receita de 1894.
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